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quinta-feira , 18 outubro 2018
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Protetor solar pode contribuir para destruição dos recifes de coral, alertam especialistas
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Protetor solar pode contribuir para destruição dos recifes de coral, alertam especialistas

Recifes de coral ficariam mais vulneráveis ao branqueamento por conta da contaminação das águas por protetor solar. Foto: ONU Meio Ambiente/NOOR/Kadir van Lohuizen

Os cientistas têm más notícias para quem costuma frequentar praias: o filtro solar que protege a sua pele enquanto você nada, surfa ou mergulha pode estar matando os recifes de corais e a vida marinha. Muitos protetores solares contêm oxibenzona, uma substância química que ajuda a barrar os raios ultravioletas responsáveis pelo câncer de pele. Infelizmente, pesquisas também indicam que o composto torna os corais mais suscetíveis ao branqueamento.

Esse é mais um exemplo de como os produtos químicos sintéticos podem ter consequências não intencionais, fato que reforça a necessidade de avaliações de risco mais rigorosas antes de aprová-los para uso na indústria. Muitas substâncias novas, incluindo a oxibenzona, passam por estações de tratamento de água sem ser filtradas e acabam nos rios e oceanos.

“Este é um caso para a aplicação do princípio da precaução”, diz Gabriel Grimsditch, especialista em ecossistemas marinhos da ONU Meio Ambiente. “A oxibenzena nos protege contra queimaduras, mas também é um poluente, e precisamos saber o máximo possível sobre ela antes de liberá-la no ambiente. Já existem evidências de que esta substância é prejudicial aos recifes de corais”, completa.

O branqueamento dos recifes ocorre quando os corais expelem as algas que vivem sobre sobre eles mesmos, que ficam brancos, sem o tradicional revestimento colorido. Essas plantas são as fontes primárias de alimento para os corais, com os quais mantêm uma relação de simbiose. O branqueamento pode ser provocado pelo aquecimento da temperatura dos oceanos.

A oxibenzona faz parte da família de produtos químicos frequentemente adicionados aos plásticos — para evitar que se degradem com a luz — e às garrafas de bebidas para proteger seu conteúdo. Ela também preserva as cores e aromas de vários itens, incluindo sprays de cabelo, sabonetes e esmaltes de unha.

Mesmo sem a conexão com a destruição dos corais, muitos países já restringiram o uso da oxibenzona devido à preocupação com a saúde humana, como no caso de alergias de pele. Pesquisadores também estão examinando o impacto da substância nos níveis hormonais.

O recente alerta sobre seu impacto para a vida marinha surgiu de um artigo científico de 2015*, que apontava que até 14 mil toneladas de protetor solar são “lavadas” anualmente da pele de banhistas e mergulhadores perto de recifes de corais em todo o mundo.

Em experimentos laboratoriais, os autores da pesquisa descobriram que a oxibenzena reduziu a forma larval do coral Stylophora pistillata a uma “condição deformada e séssil” — uma consequência direta é o comprometimento do ciclo reprodutivo e, portanto, da renovação das populações de corais. A substância também foi considerada tóxica para outras cinco espécies de corais. A oxibenzona “ameaça a resiliência dos recifes às mudanças climáticas”, advertem os especialistas.

Outras pesquisas indicam que a oxibenzona também pode causar problemas de saúde em peixes, ouriços do mar e mamíferos marinhos.

Via ONU

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