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quarta-feira , 17 outubro 2018
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Pesquisa brasileira desenvolve creme à base de jucá contra a Leishmaniose
Foto: Luciete Pedrosa/INPA

Pesquisa brasileira desenvolve creme à base de jucá contra a Leishmaniose

Uma árvore amazônica, o jucá (Libidibia ferrea), utilizada pelos ribeirinhos como remédio caseiro para diversas enfermidades, pode ser transformada em um novo medicamento alternativo associado à medicação preconizada pelo Ministério da Saúde, o Glucantime, para agir como coadjuvante no tratamento da Leishmaniose tegumentar, doença infecciosa que compromete pele e mucosas. A planta também conhecida como pau-ferro está em estudo no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

De acordo com o farmacêutico e doutorando em inovação farmacêutica Bruno Jensen, a pesquisa está em fase de experimentação pré-clínica e restrita a roedores. Os resultados mostraram que o grupo controle que não recebeu tratamento teve uma evolução clínica das lesões cutâneas de 300% maior que o período do inóculo inicial (aquele que dá origem às primeiras infecções) do parasita. Já as lesões tratadas com a microemulsão desenvolvida (formulação translúcida) incorporada com a fração substância encontrada no jucá (diclorometano) tiveram um crescimento de apenas 25%.

Já na comparação entre os grupos tratados – um com a microemulsão e o outro com o Glucantime – medicação preconizada pelo Ministério da Saúde (MS) como primeira escolha para o tratamento da leishmaniose -, foi possível observar que não houve diferença estatística quanto à evolução das lesões.

Na opinião de Jensen, isto significa um aspecto bastante positivo, pois o tratamento desse tipo de leishmaniose poderia ser complementado com o produto microemulsionado, à base de jucá, aumentando a eficácia do tratamento das feridas e reduzindo os efeitos colaterais apresentados a partir da administração da medicação única indicada pelo MS. “A partir daí surge à necessidade de novas alternativas para buscar um medicamento mais eficaz e com menos efeitos colaterais”, alerta Jensen.

Atualmente os pesquisadores conseguiram desenvolver um fitoterápico tópico, composto menos refinado por se tratar do uso de parte da planta, como alternativa da terapia para a Leishmaniose. Os próximos passos da pesquisa é desenvolver um fitofármaco com a molécula isolada mais ativa e incorporada na formulação farmacêutica. “Com isso, será possível viabilizar um medicamento com maior eficácia e com mínimas reações adversas. No momento, estamos abertos a colaboradores para proporcionar o avanço da pesquisa que já vem demonstrando resultados positivos”.

Causada por protozoários do gênero Leishmania, a leishmaniose é dividida em tegumentar (LT), que ataca pele e mucosas, e visceral (LV), conhecida como calazar, que atinge órgãos internos como fígado e baço. A LT possui alta capacidade de produzir deformidades.

A doença é transmitida ao homem e outras espécies de mamíferos por insetos vetores ou transmissores chamados de flebotomíneos, também conhecidos como birigui, cangalhinha e mosquito-palha. A LT, único tipo registrado no Amazonas, é tratada principalmente com Glucantime e Pentamidina, injeções dolorosas que contribuem para que muitos pacientes desistam do tratamento.

Por ano, as leishmanioses afetam cerca de 2 milhões de pessoas no mundo, com registro anual de 0,7 a 1,3 milhão de novos casos da tegumentar, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, em 2015 foram registrados 19.395 casos de LT, 72% deles no Norte (8.939) e Nordeste (5.152) do Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde (MS). O Amazonas ocupa a terceira posição com maior número de casos do Brasil (1.645), ficando atrás apenas do Pará (3.610) e Maranhão (1.684). Os casos identificados no Estado são encaminhados para tratamento nas Fundações de Medicina Tropical e Alfredo da Mata.

Via Inpa

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