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quinta-feira , 13 dezembro 2018
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Agência de cicloviagens ajuda egressos do sistema prisional e pessoas em situação de vulnerabilidade
imagem divulgação

Agência de cicloviagens ajuda egressos do sistema prisional e pessoas em situação de vulnerabilidade

Para empreender, acrescente paciência e perseverança a uma receita que não tem ingredientes mágicos. Essa é a recomendação do empreendedor Fagner Saturno, que das adversidades da vida encontrou força para superá-las e colocar em prática um projeto de cicloviagens que desenvolve em parceria com agências de turismo do país. A semente da ideia inovadora, que ganhou o nome de CRIA Conexões, foi plantada nas aulas do curso Técnico em Guia de Turismo, na unidade Aclimação, do Senac São Paulo.

A CRIA Conexões, uma agência que organiza rotas de cicloturismo, nasceu do esforço pessoal de Fagner de transformar sua própria trajetória. O empresário mudou o rumo de sua vida quando se conectou ao mundo do turismo. “Tive dificuldades para conquistar um emprego fixo. Sou egresso do sistema prisional e essa situação dificultava qualquer possibilidade de contratação”, revela.

Ele conta que mudou de cidade em busca de recolocação profissional. Em Paraty, no Rio de Janeiro, começou a trabalhar em um restaurante, onde se aproximou também de guias turísticos da região e se interessou por esse setor. “Quis saber mais da área e eu já tinha o sonho antigo de estudar no Senac. Ao pesquisar, vi que uma unidade em São Paulo oferecia o curso relacionado ao ramo”, afirma.

De volta à capital paulista, iniciou o curso Técnico em Guia de Turismo, na unidade da Aclimação. Foi ali, nas suas idas e vindas à instituição, que nasceu o empreendedor. Para economizar nos gastos com transporte, ele fazia o percurso da zona sul até o bairro da Aclimação de bicicleta. Sem perceber, já tinha algo que trilharia seu rumo.

Durante o curso, ideias ligadas ao setor de turismo apareceram e os programas de incentivo ao empreendedorismo promovido pela instituição auxiliaram Fagner a tirar os projetos do papel. Junto com seu grupo de sala de aula, montou uma agência de viagem que proporcionava lazer e conhecimento por meio de passeios de bicicleta entre os bairros paulistanos da Aclimação e do Cambuci. O CRIA Sampa surgiu em 2013 dentro do Senac São Paulo. “Os passeios eram feitos com docentes da unidade da Aclimação. Além disso, atendemos pessoas com deficiência visual, o que aumentou o impacto e a minha felicidade desse primeiro contato com a área”, conta Fagner.

A ideia foi indicada para o Ecoeficiência, ação interna da instituição para difundir de práticas sustentáveis, como a de Fagner. “A equipe do Senac foi a primeira a participar do projeto piloto. Conhecemos o bairro por meio de um passeio ecológico e nos aproximamos da comunidade do entorno”, afirma Elaine Gomes, docente da área de comunicação e artes e que ministrou algumas aulas do curso frequentado por Fagner. Nas aulas, o grupo estruturou a parte visual do empreendimento e como apresentar o novo serviço ao público.

As voltas do mundo

A primeira pedalada de sucesso tinha sido dada com os colegas do curso Técnico em Guia de Turismo. No ano seguinte, Fagner retomou o projeto com algumas adaptações. Desta vez, sozinho, já que seus parceiros seguiram outros rumos na profissão. Em 2014, após finalizar o curso, Fagner retomou o projeto e transformou-o na empresa CRIA Conexões Cicloturismo. “As aulas do Senac foram um divisor de água em minha vida”, diz ele.

Os roteiros oferecidos pela empresa são classificados como iniciante, intermediários e avançado. Dessa forma, o cliente escolhe o nível de trechos que serão percorridos com a bicicleta durante o passeio histórico. Entre as cidades já visitadas pelo CRIA estão São Luiz do Paraitinga e Pedra Bela, no estado de São Paulo. No Brasil, Fagner organizou cicloviagens em pontos turísticos do Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Goiás, Alagoas e no sertão de Pernambuco. Outro serviço oferecido pelo empreendimento é o cicloturismo urbano, que consiste em passeios dentro da capital paulista.

Ao todo, a empresa já atendeu mais de 7 mil pessoas de diferentes tipos de classe sociais. Para os próximos anos, Fagner quer impactar ainda mais. Os planos são focar em serviços de baixo custo para moradores de áreas periféricas oferecendo viagens com rotas menores sobre duas rodas.

Espelho para a sociedade

Fagner, hoje, é um dos ex-alunos parceiros do Senac São Paulo. Sua história de superação e empreendedorismo tem sido apresentada por ele em palestras e eventos organizados pela instituição. E com o objetivo de dar oportunidade a jovens em situação de vulnerabilidade social, ele criou um instituto de nome homônimo à sua agência, por meio do qual oferece cursos de qualificação profissional. Atualmente, disponibiliza três opções: básico em mecânica de bicicleta, empreendedorismo e guia de ciclo turístico para iniciantes. Todos são gratuitos e acessíveis para quem tem a partir de 17 anos.

Via AI

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