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segunda-feira , 20 agosto 2018
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Comunicação: reciclagem no mercado de trabalho
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Comunicação: reciclagem no mercado de trabalho

Por Willian Maier

Frequentemente somos bombardeados por notícias de cortes em redações de tradicionais meios de comunicação, que buscam ter equipes mais enxutas e ao mesmo tempo dinâmicas. Ou seja, há um movimento claro de troca de mão de obra antiga, acostumada a cumprir horários fixos e realizar um ou outro serviço, por uma força de trabalho digital, aparentemente disposta a se adaptar para atuar ao lado de sistemas tecnológicos mais inteligentes. Mas como se manter motivado nesse ambiente que parece querer chutar os velhos e englobar só jovens antenadíssimos? A resposta vem de um estudo publicado em 2013 por Carl Benedikt Frey e Michael Osborne, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Eles analisaram mais de 700 tipos de empregos e observaram o risco que cada um apresentava frente à inovação digital. Os pesquisadores descobriram que a inteligência criativa é essencial para que sua vaga de trabalho continue sendo preenchida por você, ou pelo menos por um outro ser humano. Um dos exemplos citados no estudo é o editor de jornal (ou site), que lida com um time criativo de redatores e repórteres para desenvolver pautas interessantes para seu público. Dificilmente um robô seria capaz de lidar com aspectos sociais que envolvem uma redação e decidir o impacto emocional de uma notícia no leitor, que atualmente é de carne e osso. Esse novo cenário é, portanto, favorável para profissionais que conseguem fundir habilidades técnicas com relações sociais.

A questão da socialização no ambiente de trabalho foi recentemente destacada pelo arquiteto Sérgio Athié, sócio proprietário do Athié Wohnrath, num evento online do Green Building Council Brasil. Ao falar sobre workplaces, ambientes de trabalho criados para melhorar a produtividade, ele apontou que aquele cenário futurista no qual os funcionários de uma empresa passarão a trabalhar todos remotamente, não deve se concretizar. “As pessoas vão cada vez mais carecer do encontro olho no olho. E justamente para estimular que as pessoas tenham vontade de ir ao espaço físico de trabalho que eles precisam ser extremamente atrativos e, dessa forma, permitir essa troca”, explicou. Para o arquiteto, algumas empresas já entenderam que a tecnologia pode ser utilizada para que as pessoas tenham mais tempo livre para criar. São poucas companhias que possuem essa visão atualmente, mas a maioria está no segmento de comunicação. E esse é um bom indício de que nem tudo será robotizado.

Essa mesma essência criativa e social foi citada num relatório do “The New Work Order”, divulgado recentemente pela Foundation for Young Australians (FYA). O estudo indicou que mais da metade dos estudantes das Universidades australianas estão atrás de profissões que se tornarão obsoletas pelos avanços tecnológicos e automação. Os dados mostram que 60% dos jovens entram no mercado de trabalho em profissões que serão, dentro de 10 a 15 anos, radicalmente afetadas pela inteligência artificial. Uma das recomendações dos pesquisadores é que os jovens invistam no empreendedorismo, tentem desenvolver serviços que ainda não existem ou reciclem sua atuação no mercado em algo que tenha impacto social. E para cair de cabeça nessa aventura de desenvolver um novo Uber, novo Waze ou simplesmente manter-se empregado, é necessário levar consigo algo chamado criatividade, um diferencial para que o futuro não se apresente tão tenebroso.

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