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Cientista vira empreendedora e cria empresa de nanoengenharia
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Cientista vira empreendedora e cria empresa de nanoengenharia

A guinada para o empreendedorismo na vida da bioquímica Margaret Magdesian veio da insatisfação com um equipamento científico. Trata-se da placa de Petri, usada em pesquisas com microrganismos e culturas celulares, mas que, como modelo de tecidos humanos, deixava muito a desejar.

“A ciência avançou e a placa de Petri continua a mesma há mais de 100 anos. As células que crescemos hoje em laboratório nesses instrumentos não representam corretamente as células do corpo humano. Não são um modelo eficiente, ainda mais para os neurônios”, disse em palestra no Instituto Butantan no dia 26 de junho de 2017.

Magdesian é graduada em Farmácia e Bioquímica (1996) e fez o doutorado em Ciências Biológicas (Bioquímica, 2001), ambos na Universidade de São Paulo. Em 2008, foi convidada para trabalhar no laboratório de David Colman, diretor do Programa de Neuroengenharia da McGill University.

No Canadá, Magdesian iniciou o desenvolvimento de uma alternativa para a placa de Petri. O resultado são dispositivos com base em silicone que funcionam como moldes para o crescimento de células de forma organizada, de modo similar ao que ocorre no corpo humano.

A inovação recebeu diversos prêmios no Canadá, Estados Unidos e na França e foi considerada uma das 10 principais descobertas científicas de 2016 pela revista Québec Science. A crescente demanda de dispositivos por outros cientistas levou Magdesian à criação de uma empresa, a Ananda Devices, da qual é CEO, para a produção de dispositivos biocompatíveis para facilitar a pesquisa com células.

Um exemplo é o Neuro Device, empregado para a cultura de neurônios. O dispositivo tem duas câmaras nas quais são cultivadas as células nervosas. As câmaras são conectadas por microcanais que ajudam a direcionar a extensão de axônios – parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos. Populações celulares podem ser crescidas em diferentes compartimentos, favorecendo coculturas e o estudo da interação entre neurônios e outros tipos celulares.

Com menos de um ano de existência, a empresa já vendeu mais de 3 mil dispositivos para cientistas de países como Canadá, Estados Unidos e Brasil, auxiliando trabalhos nas áreas de neurociência, imunologia, parasitologia, câncer e células-tronco.

Na palestra “O futuro das culturas celulares”, no Instituto Butantan, Magdesian, que apresentava sua inovação para uma plateia de alunos e professores, havia também um componente emocional. Foi durante seu doutorado na USP que a cientista começou a carreira acadêmica. “Foi no Brasil que aprendi a cultivar qualquer tipo de célula em qualquer ambiente, algo fundamental para desenvolver os dispositivos para cultura celular”, disse.

Via Agência FAPESP.

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