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Campo de refugiados na Jordânia se torna o primeiro no mundo a funcionar com energia limpa
Foto: Fundação IKEA/Vingaland AB

Campo de refugiados na Jordânia se torna o primeiro no mundo a funcionar com energia limpa

O campo de refugiados de Azraq, na Jordânia, é o primeiro no mundo a ser abastecido com fontes de energia renováveis. O feito é fruto de uma parceria entre a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ANCUR) e a Fundação IKEA, que disponibilizou 8,75 milhões de euros para a construção de uma usina solar de dois megawatts. A central foi inaugurada em maio (17) pelo organismo da ONU e beneficiará 20 mil refugiados.

As placas fotovoltaicas instaladas nas proximidades do acampamento permitirão ao ACNUR economizar 1,5 milhão de dólares por ano. Antes da usina, os abrigos de Azraq estavam conectados à rede regular de eletricidade. Com a energia solar, a agência da ONU espera reinvestir o dinheiro em outras iniciativas para atender as necessidades dos refugiados. O projeto também evitará o lançamento na atmosfera de 2.370 toneladas de gás carbônico.

Até o princípio de 2018, a central será expandida para chegar às residências de todos os 36 mil moradores de Azraq.

A nova rede de energia vai transformar a vida dos sírios que enfrentam circunstâncias difíceis no campo, localizado no norte do deserto na Jordânia. Nos últimos dois anos, os residentes do acampamento dependiam de lanternas solares portáteis para iluminar suas casas e não tinham meios de conservar comida ou refrigerar seus abrigos no calor extremo. Apenas no início de 2017, a rede elétrica foi conectada ao local.

Fatima, uma mãe solteira de 52 anos que veio da área rural de Damasco, está no campo desde 2015 com seus dois filhos adultos. “Na Síria, estávamos acostumados a um estilo de vida particular, e fomos separados disso no momento em que nos tornamos refugiados”, conta. “Quem está acostumado a ter eletricidade não tem ideia do quão difícil é viver sem.”

A refugiada e os filhos já investiram em uma geladeira de segunda mão, em uma máquina de lavar e em ventiladores elétricos, que dividem entre três abrigos. “Antes disso, quando cozinhávamos uma refeição, tínhamos que jogar fora os restos porque não havia como guardá-los”, explica Fatima.

“Quando ficávamos com muito calor, tínhamos que jogar água nas nossas roupas para poder se esfriar. Agora podemos ouvir música e tomar um copo de água gelada, e a nossa rotina não acaba quando o sol se põe”, acrescenta.

Construção da usina solar deu emprego para refugiados

A construção da instalação solar também foi uma oportunidade de gerar renda e oferecer treinamento para mais de 50 refugiados no campo. Eles foram empregados sob supervisão da companhia solar jordaniana Mustakbal, para ajudar a erguer a central.

Mohammad, de 20 anos, é do subúrbio de Ghouta, em Damasco, e veio para Azraq em março de 2014. Ele foi forçado a sair da escola aos 14 anos, depois que o conflito na Síria estourou. Atualmente, o jovem frequenta o sétimo ano.

Apesar de não ter qualificações, o refugiado recebeu treinamento metalúrgico no acampamento e foi um dos escolhidos para montar as estruturas que dão apoio aos painéis solares, além de ajudar também na instalação dos circuitos eletrônicos. Como resultado, ele ganhou uma experiência profissional que já o ajudou a encontrar trabalhos ocasionais fora do campo.

“Não tive a oportunidade de terminar minha educação por causa da guerra e do exílio, mas isto me deu uma habilidade prática que poderei, com sorte, usar no futuro”, afirma Mohammad. “Se voltarmos para a Síria, a infraestrutura estará destruída, mas esta é a tecnologia que podemos usar para reconstruí-la.”

A instalação solar de Azraq é conectada com a rede nacional, o que significa que qualquer eletricidade gerada que não for usada pode voltar para a rede sem custo, apoiando as necessidades de energia do país de acolhimento.

“Iluminar o campo não é apenas uma conquista simbólica, mas fornece também um ambiente mais seguro a todos os residentes do campo, cria oportunidades de subsistência e dá oportunidade para as crianças de estudar depois que escurece. Acima de tudo, permite aos residentes do campo a ter vidas mais dignas”, explica a vice-chefe do ACNUR, Kelly T. Clements.

Para o representante da agência da ONU na Jordânia, Stefano Severe, “o estabelecimento das placas de energia solar é um exemplo notável de cooperação entre um governo acolhedor, uma organização privada e o ACNUR”.

Via ONU

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